A visita à pampulha realizada em março teve como objetivo o aprimoramento da nossa percepção e a aplicação de conceitos aprendidos no livro "Lições de Arquitetura" de Hermann Hertzberger. Visitamos o Museu de Arte da Pampulha, projetado inicialmente como cassino e a Casa do Baile, ambas obras de Oscar Niemeyer e símbolos do movimento modernista no Brasil. Discutimos essencialmente:
- a influência da obra de Le Corbusier no cassino, com destaque para os cinco pontos da nova arquitetura propostos por ele. São facilmente identificáveis as janelas em fita, que percorrem toda a fachada, a estrutura independente e a fachada livre (com o deslocamento de volumes). O próprio volume da edificação lembra muito o da Villa Savoye, casa projetada por Corbusier na cidade de Poissy na França. Ambos se destacam da natureza, como se fossem naves fixadas no chão.

Cassino

Villa Savoye
- as gradações entre público e privado que podem ser observadas nos dois locais. Entra-se lentamente nos edifícios, seja pelos espaços de transição onde os dois termos se confundem (a região próxima a escada no cassino e a ponte que leva a Casa do Baile) ou pelas fachadas de vidro.
- as diferenças no detalhamento e escolha de materias nos espaços de 'dentro' e de 'fora'.
- o projeto paisagístico que cria diversos pontos de texturas e cores de modo natural e harmôncico, fugindo do paisagismo francês comum na época.
- os problemas gerados pela reforma dos espaços, especialmente o fechamento de espaços abertos no cassino que ignoram a lógica de disposição dos pilares e o espaço de transição proposto.
- a contradição gerada pelas fachadas de vidro. Não se pode dizer que estas funcionam essencialmente como elementos convidativos àqueles que por ali passam. Dado o uso dos locais, específico para o público de classe média alta, as fachadas poderiam funcionar como elementos de segregação.