
(...)Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecida certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.(...)
(...) À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecida certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.(...)
(...) À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
PESSOA, Fernando.
Flâneur é um conceito proposto pelo poeta francês Charles Baudelaire (1821 - 1867) e que se refere ao ser que observa o mundo que o cerca de maneira real e descritiva.
A cidade que o flâneur percorre é a das transformações urbanas que ocorrem no século XIX. Ele é o detetive da cidade, detentor de todas as significações urbanas, do saber integral da cidade, do seu perto e do seu longe, do seu presente e do seu passado. Ao desvincular-se do particular e recriminar o privado a rua se torna seu lar, refúgio e abrigo. Lugar de investigação, detalhes e experiências.
O termo influencia as artes e literatura da época, tendo também se tornado significativo para a arquitetura e o planejamento urbano, designando aqueles que são indiretamente e involuntariamente afetados por um design particular apenas pela experiência de passar por ele. No contexto da arquitetura atual, projetar para um flâneur é uma das maneiras de aproximar aspectos da psicologia ao ambiente construído, em volta da idéia de proporcionar surpresas e distrações para os pedestres.
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