domingo, 27 de março de 2011

Teoria da Deriva

Sakae Holga Panorama

Em 1960 é lançado o Manifesto da Internacional Situacionista, organizado por um grupo de jovens franceses que tinham uma chamada "ideologia marginal". No fundo, buscavam uma tentativa de teorizar as práticas espontâneas desenvolvidas no seio da subcultura boemia da Rive Gauche Parisiense. Guy Debord, líder ideológico do movimento, assumia uma postura "contra-cultura" numa época que ele mesmo denominava como a "sociedade do espetáculo"

A Internacional Situacionista propõe o abandono do modo euclidiano de figuração do espaço, dizem não aos pontos fixos de orientação para as visadas que segundo eles reduzia a distância psíquica entre o objeto e o sujeito. Não admitiam mais o "fazer soberano". De forma antagônica à crença dos arquitetos modernos de que a arquitetura e o urbanismo poderiam mudar a sociedade, os situacionistas acreditavam que a própria sociedade deveria mudar a arquitetura e o urbanismo. A prática da deriva (1958) propunha uma experiência a seu próprio modo, lúdica e experimental. "Ela leva a estabelecer o levantamento das articulações psicogeográficas de uma cidade moderna, suas diferentes unidades de ambiente e habitação". A deriva urbana é um comportamento tipicamente labirintiano, segundo Debord, uma experiência de abandono da atividade produto-consumista para se deixar levar pela desorientação da cidade, seu fruir; um trajeto dirigido pela indeterminação e pelo azar, um jogo de itinerários dispares. O desenho da cidade deveria surgir a partir do seu conhecimento. São teorias vindas a partir da apropriação do espaço, baseado em referências construídas e percebidas que chamam a atenção individual: "se deixar despertar pela cidade, vagar por ela, perdendo-se tempo deliberadamente durante dias inteiros".


Um comentário:

  1. fonte: http://www.territorios.org/teoria/H_C_situacionista.html

    o texto é bem interessante... vale a pena ler inteiro.

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