domingo, 24 de abril de 2011

Intervenção - Planta do local

Visita à Pampulha

A visita à pampulha realizada em março teve como objetivo o aprimoramento da nossa percepção e a aplicação de conceitos aprendidos no livro "Lições de Arquitetura" de Hermann Hertzberger. Visitamos o Museu de Arte da Pampulha, projetado inicialmente como cassino e a Casa do Baile, ambas obras de Oscar  Niemeyer e símbolos do movimento modernista no Brasil. Discutimos essencialmente:
- a influência da obra de Le Corbusier no cassino, com destaque para os cinco pontos da nova arquitetura propostos por ele. São facilmente identificáveis as janelas em fita, que percorrem toda a fachada, a estrutura independente e a fachada livre (com o deslocamento de volumes).  O próprio volume da edificação lembra muito o da Villa Savoye, casa projetada por Corbusier na cidade de Poissy na França. Ambos se destacam da natureza, como se fossem naves fixadas no chão.



Cassino


Villa Savoye


- as gradações entre público e privado que podem ser observadas nos dois locais. Entra-se lentamente nos edifícios, seja pelos espaços de transição onde os dois termos se confundem (a região próxima a escada no cassino e a ponte que leva a Casa do Baile) ou pelas fachadas de vidro.
- as diferenças no detalhamento e escolha de materias nos espaços de 'dentro' e de 'fora'.
- o projeto paisagístico que cria diversos pontos de texturas e cores de modo natural e harmôncico, fugindo do paisagismo francês comum na época.
- os problemas gerados pela reforma dos espaços, especialmente o fechamento de espaços abertos no cassino que ignoram a lógica de disposição dos pilares e o espaço de transição proposto.
- a contradição gerada pelas fachadas de vidro. Não se pode dizer que estas funcionam essencialmente como elementos convidativos àqueles que por ali passam. Dado o uso dos locais, específico para o público de classe média alta, as fachadas poderiam funcionar como elementos de segregação.

Bichinho - Performance

Após várias discussões e momentos de crise conceitual chegamos a esta performance que reflete as nossas acepções sobre o termo. O local escolhido foi uma escada interrompida por um muro (ou talvez o contrário)   que gera de um modo quase automático diversas situações de estranheza à medida em que é ocupada. Ao nos centrarmos em tal aspecto, acabamos perdendo a noção de ocupação mais abstrata do espaço, essencial na realização de uma performance. A crítica em sala de aula além de esclarecer conceitos, nos ajudou a detectar problemas de timing e, é claro, da introdução do elemento cômico que distou de toda a sutileza do restante da performance.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Hélio Oiticica, Cosmococas e Inhotim

Para a visita ao Instituto Inhotim escolhemos para a pesquisa o artista brasileiro Hélio Oiticica.


Hélio inicia seus estudos em pintura em 1954, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e na mesma década produz a série de pinturas em guache, posteriormente denominadas Metasquemas, que já mostram seu o conflito entre o espaço pictórico e o espaço extra-pictórico e  que prenunciam a sua posterior superação do quadro.




Com as Invenções, de 1959, o artista marca o início da transição da tela para o espaço ambiental, o que ocorre nesse ano com os Bilaterais - chapas monocromáticas pintadas com têmpera ou óleo e suspensas por fios de nylon - e os Relevos Espaciais, suas primeiras obras tridimensionais. No fim da década de 1960 envolve-se com a comunidade do Morro da Mangueira e dessa experiência nascem os Parangolés. Trata-se de tendas, estandartes, bandeiras e capas de vestir que fundem elementos como cor, dança, poesia e música e pressupõem uma manifestação cultural coletiva. Posteriormente a noção de Parangolé é ampliada: 

"Chamarei então Parangolé, de agora em diante, a todos os princípios formulados aqui [...]. Parangolé é a antiarte por excelência; inclusive pretendo estender o sentido de 'apropriação' às coisas do mundo com que deparo nas ruas, terrenos baldios, campos, o mundo ambiente enfim [...]".

Em 1967, as questões levantadas com o Parangolé desembocam nas Manifestações Ambientais com destaque para a obra Tropicália. A Tropicália apresentada na exposição Nova Objetividade Brasileira, no MAM/RJ, é considerada o apogeu de seu programa ambiental - é uma espécie de labirinto sem teto que remete à arquitetura das favelas e em seu interior apresenta um aparelho de TV sempre ligado. Depois que o compositor Caetano Veloso passa a usar o termo tropicália como título de uma de suas canções, ocorrem diversos desdobramentos na música popular brasileira e na cultura que ficam conhecidos como tropicalismo.



Nos anos 70, escreve demonstrando sua admiração por astros pop - Jimi Hendrix, Janis Joplin, Yoko Ono, Mick Jagger e os Rolling Stones, entre outros. Insatisfeito com o cinema como espetáculo e a passividade do espectador, elabora Cosmococa - programa in progress. Trata-se de nove blocos, alguns feitos com o cineasta brasileiro Neville d'Almeida (1941) e Thomas Valentin, e outros como proposta para amigos, denominados quase-cinema. São basicamente filmes não narrativos, produzidos com base em slides e trilha sonora, projetados em ambientes especialmente criados para eles e com instruções para participação.

Existem cinco blocos de Cosmococa no instituto inhotim, situados em um edifício construído exclusivamente para os abrigarem. Ao visitar a galeria vimos como o centro dessas instruções baseia-se na brincadeira e no envolvimento. A proposta inicial de Oiticica (vale ressaltar que os blocos somente foram construídos após a morte do artista) era que o espectador se deitasse nas almofadas e utilize lixas de unha disponíveis na entrada, que se sentasse, reclinasse e principalmente dançasse, sentindo a superfície do chão e brincando com os balões, movendo-se à vontade, ou que entrasse numa piscina. E nós realmente o fizemos.



Tais sensações estavam imersas em projeções de imagens reinvetadas e em um trilha provocativa. A reinvenção (ou maquiagem) das imagens projetadas foi feita através do uso da cocaína, como pigmento e linha para redesenhar as imagens. Redesenhar e provocar também o estímulo para a participação coletiva e da expansão da consciência ( e daí as lixas de unha).




“não se trata de fazer da COCA o absoluto místico-deificado q vestiu o LSD: COCAÍNA nem tóxico nem água a própria idéia de alucinagenar para a ‘expansão da consciência' (??? nada poderia ser menos fenomenológico: contrasenso total!) soa phony [...] como pode alguém saber qual o veneno q cada pessoa necessita?: tudo isso não passa de mais uma extensão dos hang-ups judaico-cristãos: ninguém se está querendo salvar!: pelo contrário: como diz ARTAUD let the lost get lost: BAUDELAIRE quando faz odes ao ÓPIO e ao HAXIXE não está receitando remédios: está nos envenenando de experiência: não estava pregando ou promovendo o comércio do ÓPIO-HAXIXE [...] estava INVENTADO MUNDO..... estava propondo um tipo novo e maior: COLETIVO: de participação: de modo também a ampliar sua poesia e esses níveis e desse modo descomprometê-la e soltá-la pra sempre das amarras culturais dos meios literários.”  OITICICA
Com drogas ou não, a palavra que define a experiência em uma cosmococa é imersão. É possível ficar horas dentro da galeria se soubermos absorver todos os estímulos e instrumentos que nos são dados. Sentindo e construindo um momento sem racionalidade ou limites (em teoria).


O PROJETO DA GALERIA PARA O INHOTIM










O edifício que abriga a obra de Oiticica, é, a primeira vista, opressor e impactante. Vários volumes de pedra situados em um desnível e que de certo modo modo nos lembram algo bruto, que parece ser sufocante por dentro. Não há respiro, nem fachada principal, apenas paredes de pedra em diferentes níveis e em ângulos retos.

O objetivo principal dos arquitetos Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoff ao projetarem a galeria Cosmococas para abrigar a obra de Hélio OIticica era, além de cumprir com o objetivo das obras e com as instruções do artista, era criar um ambiente labirintico, sem hierarquia entre as salas. O problema, em parte, foi resolvido através do deslocamento dos volumes que abrigam as salas, criando um hall de entrada e quatro possíveis portas de acesso. 

Entretanto, boa parte desse objetivo cai por terra devido a atual utilização. Ao entrar na galeria (de pés descalços em contato com a pedra fria) já inicia-se a sensação de imersão. Há realmente uma forma labiríntica no espaço devido a disposição das salas e da uniformidade de cores e materias. Entretanto, como apenas um das portas de acesso funciona, com a devida atenção é fácil se situar e saber por onde se entrou ou de onde acabou de sair. É possível, a partir daí, impor uma hierarquia pessoal de visita as salas.



Hall de entrada


planta nível galerias


planta área técnica


Planta de cobertura

elevação nordeste




cortes

domingo, 17 de abril de 2011

Intervenção - Percepções

O local escolhido para a intervenção foi uma casa abandonada situada na rua principal da cidade. A fachada de adôbe e pedra, as janelas vazadas, a irregularidade e a elevação da construção nos chamaram a atenção logo de início. Após o contato com os moradores soubemos que a casa é tida como uma das primeiras construções de Bichinho, sendo tombada pelo patrimônio histórico (fato que contradiz o seu estado de abandono). Existe a história de que a casa era na verdade uma cadeia de escravos, que passou de donos ao longo dos anos e que hoje pertence a um casal residente em São João Del Rey, que pouco a visita. O local é atualmente vítima de vandalismo e no seu interior há acúmulo de entulhos da última reforma realizada e também de lixo.

99200011web

99200003sticher

99200012stitcher

99200010stitcher

99200014

99200013stitcher

99200016

99200015web

O nosso nível de trabalho será a experiência interativa. No começo do processo levantamos os seguintes pontos:
- Como não restringir a intervenção ao nível da apreciação e incentivar a relação?
- Como utilizar o espaço em torno da casa?
- Como incluir elementos da cidade (materiais)?
- Haverá tatibilidade?
- Pessoalidade
- Experiência autônoma
- Interfaces
- Projeções, leds, circuitos, sensores, movimento
- História do local

Stitcher - Panorama Bichinho