Hélio inicia seus estudos em pintura em 1954, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e na mesma década produz a série de pinturas em guache, posteriormente denominadas Metasquemas, que já mostram seu o conflito entre o espaço pictórico e o espaço extra-pictórico e que prenunciam a sua posterior superação do quadro.


Com as Invenções, de 1959, o artista marca o início da transição da tela para o espaço ambiental, o que ocorre nesse ano com os Bilaterais - chapas monocromáticas pintadas com têmpera ou óleo e suspensas por fios de nylon - e os Relevos Espaciais, suas primeiras obras tridimensionais. No fim da década de 1960 envolve-se com a comunidade do Morro da Mangueira e dessa experiência nascem os Parangolés. Trata-se de tendas, estandartes, bandeiras e capas de vestir que fundem elementos como cor, dança, poesia e música e pressupõem uma manifestação cultural coletiva. Posteriormente a noção de Parangolé é ampliada:
"Chamarei então Parangolé, de agora em diante, a todos os princípios formulados aqui [...]. Parangolé é a antiarte por excelência; inclusive pretendo estender o sentido de 'apropriação' às coisas do mundo com que deparo nas ruas, terrenos baldios, campos, o mundo ambiente enfim [...]".
Em 1967, as questões levantadas com o Parangolé desembocam nas Manifestações Ambientais com destaque para a obra Tropicália. A Tropicália apresentada na exposição Nova Objetividade Brasileira, no MAM/RJ, é considerada o apogeu de seu programa ambiental - é uma espécie de labirinto sem teto que remete à arquitetura das favelas e em seu interior apresenta um aparelho de TV sempre ligado. Depois que o compositor Caetano Veloso passa a usar o termo tropicália como título de uma de suas canções, ocorrem diversos desdobramentos na música popular brasileira e na cultura que ficam conhecidos como tropicalismo.
Nos anos 70, escreve demonstrando sua admiração por astros pop - Jimi Hendrix, Janis Joplin, Yoko Ono, Mick Jagger e os Rolling Stones, entre outros. Insatisfeito com o cinema como espetáculo e a passividade do espectador, elabora Cosmococa - programa in progress. Trata-se de nove blocos, alguns feitos com o cineasta brasileiro Neville d'Almeida (1941) e Thomas Valentin, e outros como proposta para amigos, denominados quase-cinema. São basicamente filmes não narrativos, produzidos com base em slides e trilha sonora, projetados em ambientes especialmente criados para eles e com instruções para participação.
Existem cinco blocos de Cosmococa no instituto inhotim, situados em um edifício construído exclusivamente para os abrigarem. Ao visitar a galeria vimos como o centro dessas instruções baseia-se na brincadeira e no envolvimento. A proposta inicial de Oiticica (vale ressaltar que os blocos somente foram construídos após a morte do artista) era que o espectador se deitasse nas almofadas e utilize lixas de unha disponíveis na entrada, que se sentasse, reclinasse e principalmente dançasse, sentindo a superfície do chão e brincando com os balões, movendo-se à vontade, ou que entrasse numa piscina. E nós realmente o fizemos.

Tais sensações estavam imersas em projeções de imagens reinvetadas e em um trilha provocativa. A reinvenção (ou maquiagem) das imagens projetadas foi feita através do uso da cocaína, como pigmento e linha para redesenhar as imagens. Redesenhar e provocar também o estímulo para a participação coletiva e da expansão da consciência ( e daí as lixas de unha).

“não se trata de fazer da COCA o absoluto místico-deificado q vestiu o LSD: COCAÍNA nem tóxico nem água a própria idéia de alucinagenar para a ‘expansão da consciência' (??? nada poderia ser menos fenomenológico: contrasenso total!) soa phony [...] como pode alguém saber qual o veneno q cada pessoa necessita?: tudo isso não passa de mais uma extensão dos hang-ups judaico-cristãos: ninguém se está querendo salvar!: pelo contrário: como diz ARTAUD let the lost get lost: BAUDELAIRE quando faz odes ao ÓPIO e ao HAXIXE não está receitando remédios: está nos envenenando de experiência: não estava pregando ou promovendo o comércio do ÓPIO-HAXIXE [...] estava INVENTADO MUNDO..... estava propondo um tipo novo e maior: COLETIVO: de participação: de modo também a ampliar sua poesia e esses níveis e desse modo descomprometê-la e soltá-la pra sempre das amarras culturais dos meios literários.” OITICICA
Com drogas ou não, a palavra que define a experiência em uma cosmococa é imersão. É possível ficar horas dentro da galeria se soubermos absorver todos os estímulos e instrumentos que nos são dados. Sentindo e construindo um momento sem racionalidade ou limites (em teoria).
O PROJETO DA GALERIA PARA O INHOTIM



O edifício que abriga a obra de Oiticica, é, a primeira vista, opressor e impactante. Vários volumes de pedra situados em um desnível e que de certo modo modo nos lembram algo bruto, que parece ser sufocante por dentro. Não há respiro, nem fachada principal, apenas paredes de pedra em diferentes níveis e em ângulos retos.



O edifício que abriga a obra de Oiticica, é, a primeira vista, opressor e impactante. Vários volumes de pedra situados em um desnível e que de certo modo modo nos lembram algo bruto, que parece ser sufocante por dentro. Não há respiro, nem fachada principal, apenas paredes de pedra em diferentes níveis e em ângulos retos.
O objetivo principal dos arquitetos Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoff ao projetarem a galeria Cosmococas para abrigar a obra de Hélio OIticica era, além de cumprir com o objetivo das obras e com as instruções do artista, era criar um ambiente labirintico, sem hierarquia entre as salas. O problema, em parte, foi resolvido através do deslocamento dos volumes que abrigam as salas, criando um hall de entrada e quatro possíveis portas de acesso.
Entretanto, boa parte desse objetivo cai por terra devido a atual utilização. Ao entrar na galeria (de pés descalços em contato com a pedra fria) já inicia-se a sensação de imersão. Há realmente uma forma labiríntica no espaço devido a disposição das salas e da uniformidade de cores e materias. Entretanto, como apenas um das portas de acesso funciona, com a devida atenção é fácil se situar e saber por onde se entrou ou de onde acabou de sair. É possível, a partir daí, impor uma hierarquia pessoal de visita as salas.

Hall de entrada

planta nível galerias

planta área técnica

Planta de cobertura

elevação nordeste




cortes

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